Páginas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A Mãe da Lucília

A Lucília escreveu para celebrar o carinho pela mãe dela.

*****************************************************************






Minha mãe é uma peça, uma figura, uma obra de arte.  E bota arte nisso.  Faceira, faladeira, gosta de jardineira e nunca fica triste quando lembra do pierrô, da colombina, dos carnavais passados, dos namorados, das brincadeiras de infância na nostálgica Miracema.
Minha mãe mulher de fibra, não nega a raça da família Moreira.  Uma camaleoa, ou será uma leoa, sempre pronta para defender suas crias.
        Minha mãe é uma sereia.  Garbosa, cheirosa, charmosa, uma jóia rara e preciosa.
        Minha mãe é uma figura, uma mistura deliciosa de bom humor, de amor, de picardia.  Um exemplo de ousadia e coragem.
        Minha mãe é uma mulher de verdade.  Uma mistura de Amélia com Dercy Gonçalves.  Corpinho de menina, alma de criança, jeito de moleca.   Uma avó terna, carinhosa e divertida.
        Para você mamãe, o nosso carinho e a gratidão por essa lição de 88 anos de vida.
                                  
Lucília Machado

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E DISSE NELSON RODRIGUES...


INGLEZ - CONTEMPORÂNEO DO "FENÔMENO" (um no São Cristovão outro no Olaria)

Um caso do amigo Washington "Guerreiro Matador" lá do interioooorrrrr
*************************************************************

IVAN, SEGUE UMA HISTÓRIA QUE NÃO ESQUEÇO....

ACORDAMOS CEDO, REUNIÃO ÀS 7:30 HS, POR QUE ? HAVERIA MAIS UMA PARTIDA ENTRE GD’S E GR’S NO FINAL DO DIA, PORÉM, ESTE DIA NÃO SERIA NORMAL....REUNIÃO INICIADA E TOME NÚMEROS DE CADA REGIONAL, ZÉ FURIOSO, POIANI ATENTO, ATAGIBA...NEM AÍ E IVAN....COMO SEMPRE SEGURO, MANHÃ SE VAI E APÓS DO ALMOÇO, CRISE REPENTINA DO ZÉ, INCOMODADO COM A VENDA DE UM ANÁLAGO DE GNRH, NOME DIFÍCIL NÉ?! DIA MAIS AINDA... DE REPENTE ZÉ PEGA I FLIP CHART E SACA: ESSA  P.......DESSA REGIONAL DO INTERIOR NÃO VENDE NADA DESTE PRODUTO???!!!! SÓ DÁ RIO E CEARÁ!!!!! MEU DIA ACABOU, FAZIA PARTE DA REGIONAL INTERIOR, SERÁ QUE AINDA O PIOR ESTAVA POR VIR......E VEIO.....FOMOS PARA O GRANDE MOMENTO DO DIA, O JOGO ENTRE GDS E GRS, EU MORTO E FRUSTRADO, DEPOIS DAQUELA COLOCAÇÃO DO ZÉ...A EQUIPE QUE EU FAZIA PARTE NÃO VENDIA NADA DAQUELE ANÁLAGO DE GENRH OU GHRN OU HGRH, ESTAVA DESNORTEADO COM O DIA E EPISÓDIO, TANTA SIGLA, TANTA BRONCA QUE DETERMINEI Á MIM MESMO, A ÚNICA SIGLA QUE VOU MEMORIZAR DEPOIS DAS 18HS É GR X GD, ESSA EU SABIA...AQUECENDO PARA ENTRAR EM CAMPIO, ENCOSTA PERTO DE MIM NA ARQUIBANCADA UM DE MEUS MELHORES COLEGAS, INGLÊS, NÃO NA ORIGEM E SIM NO NOME, PERNA MAIS BRANCA QUE PARECIA INVISÍVEL, CARA DE MAU E DIZIA.... VOU DAR PORRRRADA...DISSE À MIM MESMO É O PRÓPRIO MASSARANDUBA, MADEIRA DE DAR EM DOIDO....ATÉ AQUELE MOMENTO ESTAVA CONCENTRADO NO JOGO, INGLÊS  ME DISSE COM A VOZ DE LOCUTOR DE RODEIO....JOGUEI NO OLARIA – RJ...COMO SE FOSSE UMA GRANDE TIME, FALEI AH É?! ENTÃO VAMOS PRA CIMA DELES, COMEÇA O JOGO...MORNO ATÉ NO TEMPO....0 X 0 NO PRIMEIRO TEMPO, SEGUNDO TEMPO , FIZEMOS 1 X 0 COM MARQUINHO COMEDOR DE TORRESMO, MEIA ESQUERDA HABILIDOSO QUE FAZIA LANÇAMENTO À LA GERSON, FALTAVA 15 MINUTOS PARA TERMINAR E MAIS UMA VITÓRIA ESTAVA POR VIR...AÍ CAIU A MÁSCARA DO INGLÊS.... DEU UMA ENTRADA NO ZÉ...DONO DO TIME E MACHUCOU O BRAÇO....NADA SÉRIO DAVA PARA CONTINUAR, PORÉM, PARA AMENIZAR JÁ QUE AINDA TERÍAMOS MAIS 3 DIAS DE REUNIÃO, INGLÊS MASSARANDUDA, EX OLARIA...COM TODA EXPERIÊNCIA QUE ADQUIRIU...SIMULA QUE O BRAÇO ESTAVA DOENDO MUITO E DEIXOU O CAMPO....FICAMOS COM UM À MENOS E TOMAMOS O EMPATE, COISAS QUE ACONTECE, PORÉM, O MAIS INCRÍVEL É QUE O INGLÊS, SAIU DE CAMPO SEGURANDO O BRAÇO , ENRROLADO EM UMA CAMISA, COMO SE FOSSE UMA TIPÓIA E PARA PUXAR O SACO DO ZÉ E MANCANDO DISPAROU...NÃO DÁ MAIS PRA MIM...ORA... DIA DIFÍCIL, TARDE SINISTRA...COMO É QUE PODE O MASSARANDUBA MACHUCAR O BRAÇO E SAIR MANCANDO????? COISAS DE GD X GR, COISAS DE NOSSAS REUNIÕES INESQUECÍVEIS...COISAS DE MASSARANDUNBA, PUXA SACO E SISTEMÁTICO, VESTIA UM SAPATO DA COR DO CINTO E AINDA PINTAVA O CABELO PARA COMBINAR....PUXA SACO, MAIS MUITO HABILIDOSO....GRANDE JOGADOR DO OLÁRIA...FINAL DO DIA...DEIXAMOS COM QUE EMPATASSEM O JOGO (UM JOGADOR À MENOS)   E PERCEBEMOS QUE PRECISÁMOS VENDER MAIS....O ZÉ FAZIA COISAS INCRÍVEIS...MUDAVA O RESULTADO , SEM TOCAR NA BOLA...



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

PINTANDO O SETE NO VITERBO

Os dois casos a seguir são contribuições da Lucília para o blog e ela comenta as contribuições no destaque abaixo. Obrigado e sempre que tiver uma história ou lembrar de uma não deixe de enviar.

"Estou enviando duas histórias sobre o saudoso amigo Aldemar p/o blog, uma da minha autoria e outra do coleguinha jornalista, Múcio Bezerra, uma figuraça, que tb já partiu p/o andar de cima."  Lucília

**********************************************************************************************
PINTANDO O SETE NO VITERBO

São muitas as histórias curiosas envolvendo o “camarada” Aldemar e o seu bom senso. Para começar vou contar um episodio acontecido nos anos 80, quando nós morávamos na lendária Travessa Santa Rosa do Viterbo.

Um belo dia resolvemos pintar o nosso apartamento, mas como a grana, para variar, estava curta, o Carlos, meu marido na época, chamou o Roberto Athanázio, também nosso vizinho (e marido da saudosa Regina) para fazer aquela pinturazinha básica. Tinta para lá, brocha para cá, lá pelas tantas, resolvi dar uma espiada para ver como estava o andamento da coisa. Foi quando cheguei no quarto e notei algo estranho. Os habilidosos e bem-intencionados voluntários haviam pintado a parede, sem tirar o guarda-roupa do lugar, em outras palavras, passaram a tinta em volta do mesmo. Quando deparei com a cena, quase tive um ataque, e comecei a argumentar que não estava bom, etc. e tal. A dupla de pintores amadores até tentou me convencer de que o serviço estava bom, e só eu é que estava notando aquele pequeno detalhe.

Inconformada com a situação, interfonei correndo para o vizinho do aptº 806 e pedi socorro. Foi quando Aldemar chegou e ao dar de cara com o “armário emoldurado” na parede, começou o seu breve e conciso discurso, sobre as falhas no processo de pintura em questão. Após algumas horas de justificativas e hipóteses, ele conseguiu reverter o quadro e nos convenceu de que a melhor a saída era contratar um pintor profissional. Grande Aldemar...

Lucília Machado
 

CONTO DE NATAL


Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Achou que estava tudo uma beleza, porque ainda não conhecia o Aldemar. O conhecedor de todas as coisas_ eu estou me referindo ao Aldemar_ teria criticado logo o regime de trabalho. Seis dias numa semana? Um absurdo. Um mau exemplo divino na medida para justificar a exploração do homem pelo homem, desde quando Adão foi demitido, sem justa causa, do Paraíso. E ainda por que dois terços de água_ e, ainda por cima, salgada_ se o nome do planeta é Terra? Ele teria convencido o Todo-Poderoso_ e aqui eu estou me referindo a Deus_ a mudar o nome do planeta para Mar. Porque ficaria mais coerente. E também porque rimaria com o nome dele, Aldemar.
Às vezes, quando penso que fiz uma coisa perfeita, um trabalho bonito, um gol de placa, verifico logo se o Aldemar não está por perto. Se ele não estiver, faço autocrítica. Imagino como o Aldemar analisaria aquilo, vejo melhor cada ângulo da questão e...quer saber de uma coisa? O trabalho estava mesmo uma porcaria. E a Sharon Stone, por exemplo, não é tão linda assim. Aliás, ela nem sequer é bonita. Olhando bem, que mulher feia, meu Deus...
Conheci o meu amigo Aldemar na Faculdade de Comunicação na UFF. Éramos da mesma turma. Saí de lá convencido de que Melvin L. De Fleur, Marshall McLuahan e Umberto Eco podiam entender muito da teoria da comunicação. Mas não teriam coragem de discutir o assunto com o Aldemar. O meio é a mensagem? Pois sim...
Imagino que Deus estava descansando naquele sétimo dia, quando olhou o futuro e viu o Aldemar. Aí resolveu criar o Antônio, outro colega da turma da faculdade. Antônio é o crítico do Aldemar.
Antônio morava no Fonseca, mas fez o impossível para se mudar para um condomínio de luxo, em Pendotiba. Não por uma questão de status. Mas para ficar perto e discordar do Aldemar:
_ Feliz natal!
_ Feliz por quê?
_ Eu provo!
_ Prove...


*(Múcio Bezerra)

domingo, 17 de outubro de 2010

PÉ DE QUE


Ouvia um debate no rádio esta semana, onde o tema central era a escolha de cinco coisas importantes que você deveria escolher para levar para uma caverna se tivesse que ficar confinado lá, deve ser ainda reflexo dos mineiros do Chile. O apresentador lançou outro desafio que envolvia novas escolhas: quais os cinco lugares mais interessantes para viajar, um ouvinte já queria saber quais os cinco filmes mais importantes da história do cinema, um outro as cinco pessoas mais influentes em todos os tempos e lá se foi à discussão envolvendo escolher as melhores ou mais importantes coisas, lugares, pessoas para cada um.
Resolvi, na solidão do engarrafamento diário, escolher as cinco melhores não sei o que para mim. Entre uma freada e outra decidi que ia escolher os cincos melhores “PÉ DE QUE” que passaram pela minha vida. “PÉ DE QUE” é uma árvore, não uma árvore qualquer, tirada lá do meio de uma floresta, mas uma árvore com personalidade própria, com histórias, com nome, sobrenome e lugar sabido de existência.
Logo vi a primeira dificuldade na minha escolha: não poderia colocar em uma ordem de preferência, simplesmente não seria possível e me recusava a isto. Segundo, cinco seria muito pouco e desta forma eu poderia excluir árvores queridas da minha vida, uma tremenda injustiça. Decidi então, mudar as regras do desafio:

  1. Eu ia colocar em uma ordem aleatória decidida por um sorteio.
  2. Não seriam apenas cinco, mas sim dez “PÉS DE QUE”.

Vamos lá:


·              O PÉ DE ABIL: Da varanda alta da casa da minha Vó dava para ver ele. Bastava um pulo no muro, pendurar no galho e já estávamos montados nele. Cada um de nós logo se acomodava. Eram doces, amarelos, da espécie dos redondos, com sua cola que grudava nos lábios e servia de brincadeira para nós. Não falhava um ano, não era fruta de cair sozinha, também não dávamos muito tempo para ficar velho de maduro. Da rua alguns passavam e pediam, depois de comer muito levávamos para casa, pois todos queriam.



·              OS PÉS DE CAJA: eram dois, um na casa da minha Vó e o outro lá em casa – pé bão de subir, a fruta dava em pencas, era muito farto, o tronco era macio, dava para escrever com a faca, lá escrevi o nome da minha primeira namorada, se não derrubaram o pé ele deve estar lá ainda, pois escrevi fundo, bem lá no alto para ninguém ver. O da casa da minha Vó a fruta dava pequena mas muito doce o lá de casa era grande e mais azedinho. Era muito bom comer cajá de vez com sal. Quando eu queria enxergar longe subia nele até o último galho.






·            O PÉ DE JABUTICABA:  o melhor era o do NATAL, coloquei aqui o link de um outro texto que escrevi aqui que vale conferir para ver a importância deste PÉ DE QUE. Não deixe de ver:
·              O PÉ DE LARANJA LIMA: Debaixo dele, no meu quintal, aprendi a descascar laranjas, sonhei em ser grande, chorei, pensei, me escondi, brinquei muito, criei galinhas, falei sozinho, me arranhei nos espinhos. Era bonito ver ele florescer e virar fruto.

·              O PÉ DE PINHA: Engraçado, não era farto como os outros e nem tão grande, mas era simbólico, era o PÉ DE PINHA da minha Tia, era intocável, como não dava muito fruto era cobiçado por todos, mas não tínhamos coragem de comer, era dela, às vezes ela dividia com gente, mas era área proibida e isto para criança era sempre um desafio. Na verdade ajudávamos a proteger aquele PÉ DE PINHA afinal a Tia Santa sempre nos garantia outros tipos de agrado que compensavam. Hoje quando passo em um sinal e vejo aqueles caras vendendo PINHA compro uma caixa e como sozinho, deve ser trauma.







·              O PÉ DE MANGA: era uma velha senhora, a melhor sombra da minha vida, grande verde, difícil de subir. Uma manga espada tão doce quanto desejada. Nos finais de tarde que “vinha chuva” ficávamos sentados esperando o “vento que vinha antes” fazer o trabalho dele e soltá-las do galho e quando ouvíamos o menor barulho corríamos em uma disputa que dava para todos. Comer aquelas mangas era se lambuzar, se lambuzar,...






·              O PÉ DE AMORA: este não era de subir, ficava no quintal da Dona Aurora, ou Orora para nós e para o papagaio dela. Era do lado da cerca de bambu, não precisávamos nem pular para o quinta l dela, pois só o tronco era lá a fruta mesmo estava do lado de cá, na casa da minha Vó. Na verdade o que dava sentido era ficar ali comendo amora catada e vigiando a gaiola com o alçapão para pegar passarinho, preso com a gaióla na goiabeira e ouvindo as besteiras do papagaio da Dona Orara.




·              OS PÉS DE GOIADA: são dois, o primeiro foi criado junto com o PÉ DE LARANJA LIMA, um passava sobre o outro, vi ele crescer, dava goiaba com tanta fartura que fazíamos doce, goiabada e as galinhas comiam quando caiam de maduras. Nele subia para pegar as laranjas que não alcançava do chão, algumas vezes soltei pipa de cima dele em outras me serviu de refugio das brigas com minha mãe. O outro é o da casa onde moro hoje, bem na frente dela. Quando cheguei aqui, não sabia que projeto de construção ia fazer, mas decidi logo que seria qualquer um que preserva-se o PÉ DE GOIABA, pois isto não só manteria vivas as minhas lembranças como me permitiria vivê-las novamente.

sábado, 9 de outubro de 2010

Cafifa

Um aula sobre Cafifa, do Antonio Torres, que aproveita para fazer voar a pipa dos Cariocas.

***************************************************************************


Um dia desses, minha filha, do alto dos seus 22 anos e das lonjuras de Toulouse, na França, onde está estudando, saiu com essa: Pai, porque você não me ensinou a soltar pipa?  Nem me lembro o que respondi ou se respondi, mas a questão ficou no ar.

Primeiro porque, morando em Niterói, ela devia ter dito cafifa e não pipa. Pipa é coisa de Carioca, mas como lá é que são geradas as mídias que nos abastecem diariamente de violência e desinformação, a cafifa dançou.

Eu nunca a ensinaria a soltar pipa. A cafifa deles, que se chama laçadeira é muito padrão, quase quadrada, com um bico pequeno embaixo e uma rabiola (hunn, rabiola...). Tem até um efeito estético legal, principalmente se há muitas no ar, mas como diversão é fraquinha. É muito menos versátil. A rabiola está sempre embolando, aliás, sua função primordial é dar equilíbrio e controle à pipa, o que se opõe por completo ao espírito rebelde e impulsivo das cafifas sem rabiola. Existencialismo puro!

O grande barato de soltar cafifa é a competição, a cruza, quando as linhas com cerol (vidro moído e cola) tentam cortar umas às outras. E não é o cerol ou a linha que faz a diferença. É o tipo da cafifa associado à técnica da cruza que dá muitas cores à brincadeira. Nós aqui em Niterói temos a arraia, morcego, pião, baratinha e o estilão, que é uma laçadeira mais esperta e a única que tem rabada e não rabiola. Cada uma delas tem suas características, seu estilo e são ágeis como o diabo. Os meninos vão se especializando em uma delas e com o tempo adquirem um domínio completo de suas manobras, obtendo ótimos resultados.

São várias técnicas usadas na cruza: Entrar por cima: Difícil e às vezes suicida, mas com um bom dibique (rápido para baixo) para dar velocidade e peso à linha, pode-se lograr sucesso. Entrar por baixo: Quem está antes do oponente em relação à direção do vento, tem tendência natural por esta entrada na cruza. O sucesso normalmente é garantido quando se consegue que a linha do oponente corra mais devagar que a sua, fazendo com que o seu desgaste seja maior. A menos, é claro, que o seu oponente, que entrou por cima, tenha outros planos.

Estão aí envolvidas questões complexas de química e física que os meninos dominam na prática, mas não tem muito tempo para aprofundar teoricamente, visto que os horários da escola, normalmente são os melhores em termos de vento e disponibilidade de tempo.

A minha infância foi preenchida em boa parte pelo universo das cafifas. Fazer, colocar no alto, cruzar, cortar, voar, dar dibique, rabilinhe, correr atrás, moer vidro, fazer e passar cerol, olhar o tempo e o vento: Uma paixão! Porquê, então, não passei essa paixão para os meus filhos? Porque nestes trinta e poucos anos que separam nossas infâncias, as coisas deixaram um pouco de serem próximas para serem tele (longe, em televisão, telefone...) e tornaram-se mais virtuais que reais. Nós até tentamos. Fizemos juntos uma cafifa, um pião, que tinha o seu nome escrito, mas quando o colocamos no alto, destreinados, deixamos que se prendesse num mamoeiro.

E ele ficou lá, balançando ao sabor do vento, aquele fevereiro inteiro.